6.1.12

se promessas do meio do ano são furadas o que dizer das resoluções de ano novo?

chan marshall sempre sempre sempre consegue traduzir os sentimentos mais díficeis em letras sutis e ao mesmo tempo cortantes. essa versão nova de 'king rides by' (original de 96) não é diferente. aliás, é cat power na sua essência mais pura. linda demais.



15.8.11

Voltando aos poucos. Ainda anseio por brisas quentes e fins de tarde às 8 e meia da noite...



Sunday Brunch: Ducktails from Ray Concepcion on Vimeo.


ps. este blog não se transformou em videoblog. prometo um mix salgado e caliente em breve.

19.7.11

i knows... já cansei de dar desculpas pelos sumiços.

só posso mesmo é deixar aqui registrada minha extrema frustração com o fato de que lá em cima já é verão e aqui ainda não.




22.3.11


Num belo dia de trabalho, depois de ouvir pela milhonésima vez todas as versões de todas as músicas do Real Estate, senti pena do meu 'calega' de mesa e resolvi procurar um "similar" para suprir minhas necessidades musicais sem lesar os ouvidos (e a paciência) das pessoas ao meu redor.

E aí eu trombei com o Spectrals, que apesar do plural na verdade é apenas um cara. Um inglês chamado Louis Jones, que faz um surf-pop-garage completamente 60's, e mistura referências desde Phill Spector a Beach Boys. Na verdade o som dele é um pouco menos urbano que o do Real Estate - as músicas são tão ensolaradas e gostosas que dão vontade de voltar no tempo para o começo do verão.

O EP autointitulado, lançado em Outubro passado pela Moshi Moshi, é recheado de guitarras molengas e um baixo vigoroso. Em "I Ran With Love But Couldn't Keep Up" a levada não poderia remeter mais a um final de tarde na praia. Já "Chip a Tooth (Spoil a Smile) poderia ser trilha de uma das cenas animadas do Mad Men. Enquanto o LP "Bad Penny" prometido pra esse ano não chega, dá pra curtir esse calorzinho que tem feito com o "Extended Play" como trilha.

16.3.11


Flutuo entre a preguiça, o cansaço mental, a histeria e a vontade de abraçar o mundo. Nunca sei por onde começar, nem onde parar e aceitar que simplesmente não dá mais. De qualquer jeito, por mais que eu decida matar esse blog, nunca consigo. Quando estou próxima de fechá-lo decido voltar a postar, por mais trabalhoso que seja.

Talvez seja uma boa hora para mudar e encará-lo não só como um prazer, mas como uma responsabilidade. Assumir o compromisso. Mesmo estando um tanto atrasada, que comece 2011!

Muita coisa ultimamente tem me motivado a escrever - hoje especialmente foi o Mountain Man, que apesar do nome é composto por três moças adoráveis. Três vozes lindas que cantam quase sempre à capella, ou sobre algumas notas simples de violão.

Seguindo sua origem musical (duas delas foram membros de corais), elas cantam em tons diferentes e sobrepostos, o que preenche as músicas de maneira assombrosa. Os temas são - em geral - bastante simples também. Odeio a comparação reducionista, mas elas soam algo como um Fleet Foxes feminino, mas com instrumental reduzido, potencializando suas vozes.

Seu disco de estréia do ano passado "Made The Harbor" é uma coleção de belas e delicadas canções. "Buffalo" é curtinha e muito fofa, "Animal Tracks" é linda e foi gravada também pelo Alex Bleeker, numa versão com guitarras, "Soft Skin" é de uma delicadeza impagável e "River" mostra tudo que essas garotas são capazes apenas com suas vozes. Apesar de não trazer nada de novo, "Made the Harbor" é essencial e único.

Esse vídeo de uma apresentação com o Alex Bleeker mostra bem qual é a vibe delas. Para quem também entende inglês, vale a audição da entrevista das meninas para a rádio online NPR, aqui.


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19.6.10

sem muito o que dizer hoje
o real estate fala por mim



10.6.10


É engraçado como a gente encontra semelhanças entre sons de artistas supostamente 100% opostos. Uma vez, ouvindo Gilberto Gil na praia alguma canção me lembrou muito o Architecture in Helsinki - vai entender.

Algo parecido aconteceu quando ouvi o disco novo do Julian Lynch ("Mare", 2010), que na hora me lembrou absurdamente a trilha do trio +2 para o último espetáculo do Grupo Corpo, "Imã" de 2009. Claro que há diferenças brutais entre os dois discos, mas o mais importante é o quanto eles se assemelham.

A trilha do +2 é como um resumo intrumental dos três discos anteriores do projeto - do qual eu gosto muito, mas dedicarei um post a explicar melhor numa outra oportunidade. Como é uma trilha para um espetáculo de dança contemporânea, o disco tem muitos momentos e ritmos variados. Começa com metais e um baixo pesado numa canção super abstrata em "Chorume" e se desenvolve de maneira curiosa, com "capítulos" mais eletrônicos abstratos ("Padre Baloiro" - adoro o nome), que em casos se misturam com samba (ou elementos de, como em "Deixa Disso") e tem até momentos pop gostosos como na ensolarada "Você Reclama" - uma das músicas em que se percebe claramente a composição - nesse caso, do Domenico Lancelotti, com assobios e palmas, entre outras graças que tornam a música incrível.

É difícil descrever uma trilha de dança contemporânea sem parecer chato, mas em geral as trilhas do Corpo são muito boas. Nesse caso ficou perfeita, pois além de se encaixar perfeitamente com a coreografia do grupo, a trilha é uma delícia de escutar em qualquer ocasião. Acho que é um dos raros casos de competente música nacional jovem e inovadora.



A semelhança de "Mare" com "Imã" não se extende ao disco todo, mas eles se aproximam esteticamente nas faixas mais serenas, onde o baixo, a guitarra e os instrumentos de sopro conversam sobre uma base de batidas e tamborim bem sutil. "A Day At the Racetrack" é o momento do álbum que mais lembra as canções do +2 - uma faixa lenta e curta, mas densa.

Aliás, o disco é quase todo instrumental e muito elaborado - quando as vozes aparecem são bem sutis, quase como um instrumento de apoio, não de destaque. Na verdade, a vibe de "Mare" está bem inserida nessa categoria de sons que tenho postado ultimamente - algo de psicodélico, algo de retrô, algo de lo-fi. Também dá para sentir a influência de sons indianos no disco, principalmente na primeira faixa "Just Enough".

Talvez por Lynch ser um acadêmico da música, percebemos que apesar de ser leve e gostoso, o disco é muito bem elaborado, com faixas densas e complexas. Mais uma coleção de belas canções e que - apesar de ainda não ter sido lançado - já é um dos meus favoritos desse ano.


 

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